O cérebro humano é o principal alvo de estudos dos cientistas há séculos, pois nele está o que temos de mais interessante e misterioso para os estudiosos: a memória. Se lhe perguntarem o que você comeu no dia 25 de agosto na hora do jantar, você é capaz de lembrar? Não, certo? (a menos que tenha sido uma data marcante como seu aniversário ou de alguém importante). Mas se lhe perguntarem onde você estava no dia 24 de dezembro do ano passado, você lembra?
De acordo com a professora de Biologia da Escola de Aplicação, Maritsa Fabiane Heylmann, o cérebro guarda apenas fragmentos do que aconteceu e, na hora de montar o quebra-cabeça das lembranças, contam as emoções e a maneira como a pessoa percebeu o fato ocorrido. Ou seja, quanto mais forte foi a sua emoção durante o momento, mais nítida estará a lembrança (seja ela ocorrida de fato ou criada pelo seu emocional).
Depois de tantos anos, descobriu-se que o cérebro é que guarda as informações e as divide em dois tipos principais de memória: a primeira, de curto prazo, pode armazenar de seis a sete itens, por pouquíssimo tempo, como números de telefones que vemos na televisão de coisas que não nos atraem, e a segunda, de longo prazo, que mantém assuntos de destaque, como a data de aniversário daquela pessoa que você gosta. E mais, na memória de longo prazo, existem as memórias explícitas e implícitas: a explícita, em lembranças que podem ser descritas por palavras, como o endereço de seu melhor amigo, e a implícita, que são coisas que você faz automaticamente, como levantar todos os dias para ir à escola.
“Se pensarmos no córtex (parte responsável pela capacidade de pensamento) como um canteiro de flores, por exemplo, há várias delas espalhadas por toda a cabeça. A região responsável por unir cada uma delas em um buquê é o hipocampo (responsável pelo aprendizado e memória). Nessa analogia, a memória efetiva é o buquê – o padrão neural de ligações entre as partes do cérebro onde as lembranças são armazenadas” exemplifica a professa. Agora ficou mais simples, não?
Mas por que somos incapazes de lembrar coisas de quando éramos bebês? Porque entre as idades de zero e quatro anos, as crianças não possuem o que é conhecido como “memória empírica”, ou seja, a memória onde estão os detalhes específicos das coisas. “Quem tem memória é o computador, o que nós temos é uma vaga lembrança”, completa Maritsa.

Daniéli Fernandes Monteiro, 18 anos, turma 121 Técnico em Publicidade – Área da Comunicação
O que jantou no dia 25 de agosto? Não lembro.
E onde estava no dia 24 de dezembro do ano passado? Em Caçapava do Sul, na casa da minha avó com toda a minha família.
Qual a tua lembrança mais antiga? Eu sou alérgica a lactose, e quando era pequena, só podia tomar leite de soja, que na época era muito complicado de conseguir, então meu pai fez uma pirâmide com todas as latinhas e tirou uma foto.

Louise Dapper, 16 anos, turma 121M
O que jantou no dia 25 de agosto? Devo ter comido sopa.
E onde estava no dia 24 de dezembro do ano passado? Na cada da minha avó, como todos os anos.
Qual a tua lembrança mais antiga? Eu tinha quase dois anos e estava com pneumonia, e lembro que estava deitada na cama do hospital, tomando mamadeira com alguma coisa laranja dentro, olhando desenho e minha mãe do lado chorando.